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Carta aos amigos após o caminho
Queridos amigos

Como estão??? Depois de umas férias bem pequenas na Espanha de 2 meses estou de volta -:) Muito feliz!!! Na verdade não foram bem férias, fui fazer o Caminho de Santiago a pé. É uma peregrinação maluca, com malucos peregrinos caminhado por campos, estradas, montanhas, trilhas cheias de pedras, sobe e desce atrás de uma seta amarela , percorrendo uma distância de 800 km, e chegar à Catedral de Santiago e chorar muito. Só pode ser coisa de maluco! Mas foi a maluquice mais incrível que fiz em minha vida. Uma experiência e tanto. Tão intensa, cheia de emoções, dificuldades, conhecer pessoas e lugagres diferentes. Muitas vezes bem duro, principalmente caminhar na chuva. Foram 45 dias caimhando. Havia dias que acordava e não tinha a menor vontade de andar, e era preciso ir embora ( às 8:00hs da manhã todos tinhamos que sair do albergue) e caminhar mais uma etapa. Dormir cada noite num albergue diferente, em camas beliches, com muita gente que nunca vi em minha vida....E os roncos então, nem se fala!! O acordar de manhã vinha sempre acompanhado de uma trilha sonora típica do peregrino: barulho de sacos plásticos, ziper do sacos de dormir e velcro. Este era meu despertador matinal!! Tive que ter uma disciplina e tanto para manter a rotina do peregrino: 1- acordar bem cedo, até as 7:00hs ( eu era uma das últimas a leventar da cama, as 7:30 hs) 2- arrumar a mochila e sair do albergue 3- comer algo se tiver comprado no dia anterior, ou então achar uma bar no caminho 4-caminhar, caminhar e caminhar o dia todo, uma média de 20 km/dia 5-chegar no albergue, carimbar a credencial ( o documento oficial do peregrino) 6- Tomar banho ( quando tinha água quente, era uma festa!!!) muitas vezes o banheiro era para homens e mulheres. Privacidade!! nem pensar 7-Lavar as roupas, porque pra carregar pouco peso na mochila, tinha só uma muda de roupa) 8-Comer, ai que delícia. Nesta hora a fome era insuportável! 9-Planejar a etapa do dia seguinte a ser comprida 10-Dormir até as 10:00hs da noite. A hora em que fechava o Albergue. Para completar a rotina tinhamos mais alguns afazeres: -farmácia ( para comprar medicamentos para curar bolhas, tendinites, dores pelo corpo inteiro, etc) -banco, para trocar dinheiro -ir nas "tiendas", lojinhas para comprar banana. yogurt, agua e comidas -telefonar (isto qdo achava um telfone) para o Brasil, nestas alturas os meus familiares e namorado estavam de cabelo em pé, imaginando onde eu estava, se tinha acontecido algo, etc... Um dos maiores divertimentos do peregrino era ir ao correio e mandar coisas para aliviar o peso da mochila. Vocês nem imaginam quanta coisa desnecessárias carregamos. Isso serve de lição para a vida! Precisamos de muito pouco para ser feliz. Vocês devem estar me perguntando porque fui fazer o Caminho de Santiago??? Não tenho esta resposta! Só seu dizer que senti uma vontade enorme de percorrer este caminho sagrado de quase 1.000 anos de existência. Antigamente as pessoas faziam este caminho para pagar uma penitência ou uma promessa. Eu não fui por nemhum destes motivos, creio que fui por reencontrar minha fé em Deus. Para superar as dificulades e suportar as dores físicas precisei muito de minha fé e firmeza em meus propósitos, e foram nestes momentos que descobri que Deus está sempre presente, aguardando pacientemente nosso chamado, nosso grito silencioso de socorro. Em todos os momentos difíceis de minha caminhada aparecia uma pessoa que me dava a ajuda necessária, sem eu pedir. Este foi o verdadeiro milagre que notei. E se repararmos, isto também acontece conosco em nossa vida. São pequenos gestos das pessoas que passam por nós, que fazem com que nossa vida seja mais rica e intensa. No agito de nossas vidas, não percebemos Sua forte presença, mas Ele está bem perto, esta dentro de nós. Fazer Caminho de Santiago, foi o presente mais rico que ganhei em minha vida! Voltei mais forte, mais feliz, mais tolerante. No Caminho necessitamos de muito pouca coisa para viver, porém precisamos de muita tolerância, fé e paciência para sobrevivermos à dura rotina do peregrino.

Um abraço carinhoso

Vera Lucia Traversa - A peregrina carta publicada em "Relatos Peregrinos"

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